quinta-feira, 27 de maio de 2010

MICROCONTO


O PERSEGUIDO

Ele havia descido infinitas calçadas atrás de uma lista telefônica, querendo discar imediatamente para alguém sem rosto, um sobrenome com todas as letras do alfabeto.
Começou a anotar algarismos com ansiedade submersa, como se fora um náufrago do Titanic. Interpretava o papel de alguém que está fugindo e correndo muitos riscos. Fichas tilintam numa ânsia cigana. Voz entrecortada e uma chamada para a região Norte: “- Não posso suportar mais...”
Estalar de passos lentos na esquina. Seu coração explodindo em granadas de susto. Numa fração de segundo voltou a si, o telefone vermelho oscilava suspenso no vazio com uma voz de mulher cantando uma canção barata.
Estalar de passos se aproximando. Por que não conseguem esquecer? Sem pensar duas vezes, correu ao encontro deles durante uma eternidade. Abriu os botões do peito e fez luzir o distintivo de sua imortalidade. Eles atiraram, atiraram, atiraram. Uma dama-da-noite derretia seu perfume insuportável num jardim.

2 Comentários:

Às 27 de maio de 2010 20:52 , Blogger Marcos Martins. disse...

VAMOS FILMAR ESTAS POESIAS E OUTRAS AÍ NA PEQUENA LONDRES ,INVENTAR O CINEMA PÓESIA VERMELHA.

 
Às 28 de maio de 2010 05:28 , Blogger Maurício Arruda Mendonça disse...

Então está combinado, Marquinhos! Vamos viabilizar essas loucuras todas. Merda aí em Piracicaba! Abraço procê!

 

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