quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

UMA VOZ NA NOITE

Noite quente aqui dentro. O vento fustiga as folhas da Santa Bárbara no jardim. Estou um bocado cansado hoje pela correria do trabalho e dos compromissos deliciosos no Cabarezinho que acontece na Vila Cemitério. Um encontro com o legendário jornalista Edison Maschio, autor do clássico londrinense "Escândalos da Província". Lembrei-me agora a pouco dessa canção de George e Ira Gershwin. Aliás, uma canção que eu e meu amigo Claudio da Costa temos por predileta. Vai aí na versão da bela Judy Butterfield. Curtam e depois me falem. Bons sonhos.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

UMA JAM PRA BORTOLOTTO

" - Que Noite Fantástica!"

Foi o que meu filho disse do alto de seus quase quatro anos para a minha musa Jacqueline Sasano enquanto caminhavam pelas calçadas da Rua Quintino Bocaiuva próximas à Vila Cemitério de Automóveis, batidas por um vento incessante e quase frio. E o moleque estava certo e se fez presente em boa parte dessa reunião de talento e generosidade idealizada pelos queridos amigos Carlos Bozzelli e Marcos Losnak. Muita gente de coração maravilhoso pintou para desejar melhoras a Mario Bortolotto. Vi muitos ligeiramente mas me recordo de Mariozinho Rocha, Juliana Boligian, Nelson Capucho, Paulo Briguet, André Simões, Bonifácio, Adriana Ito, Bruno Goehring, Lívia Nonato, Cibié, Bernardo Pellegrini, Viqui Gil, Luciano Bitencourt, Jackline Seglin, Denise Gentil, Paulo Castro (Negão). Peço desculpas pelos que nào lembro agora, posto que minha memória é solúvel em álocool. Muitos mandaram votos de restabelecimento ao Marião ontem à noite, gente como Adriano Garib, Marcos Martins, Silvio Demetrio, Paulo de Moraes, Inês Peixoto e Maria Angélica Abramo. Realmente, jamais desejariamos estar ali, mas foi ótimo comemorar a melhora no quadro de saúde do Marião que, esperamos, em breve esteja com a gente para saborear um merecido Jack Daniels. De resto, a noite - comandada por nosso histriônico Mestre de Cerimônia Rodrigo Garcia Lopes (e suas canastríssimas imitações de Mário Bortolotto) - nos gerou uma alegria muito especial que emanamos para nosso amigo que está em Sampa. Valeu Bozzelli e Losnak! Foi uma noite fantástica! Viva o Mariào!


Christine Vianna, que abriu a noitada na Vila Cultural Cemitério de Automóveis com palavras emocionadas de agradecimento a todas as pessoas que compareceram para exaltar a arte de Mário Bortolotto, fazer uma corrente pela sua recuperação e conclamar pela paz seja em São Paulo ou Londrina. Aqui Chris lendo um poema do Mário ao som do super violonista Gegê Félix.


Aurea Palhano a bordo de um sorriso medusante enquanto treinava leitura de um poema bortolotiano.


A poeta Celia Musilli trouxe suavidade e ironia feminina em sua interpretação dos poemas do Marião.


A poeta Beatriz Bajo, novíssima amiga, emprestando sua verve na leitura de um poema desbragado do signore Bortolotto.


Também novíssima amiga e já da turma como se fosse há anos (afinidade poética, claro!) a poeta Samantha Abreu.

Sim, ele mesmo. Herr Alexandre Horner, poeta que realizou performance francamente excêntrica na qual inclusive incorporou o Pastor Hornerbugs.

Num look a la Barão de Munchausen, o poeta, designer gráfico e performer Herman Schmitz, em pausa de seriedade em meio a um poema hilário de Mario (perdão pela rima).


Rodrigo Garcia Lopes e eu fazendo um revival de "Do lado de cá da cidade" ao som de um blues como em 1991 quando apresentamos com Mario e Silvio Demetrio, no Bar Valentino, o show "Poesia in Concert".


Valquir Fedri, the wild one, líder do "Bonus Thrash" lendo o poema "Do lado de cá da cidade" do Marião.

Eu lendo um trecho da peça "Gravidade Zero" acompanhado pelo suíngue jazzistico de Mr. Rodrigão.

(As fotos são de Carlos Bozzelli)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

ATO PELA RECUPERAÇÃO DO MARIO


Nesta terça-feira (8), às 20 horas, será realizado na Vila Cultural Cemitério de Automóveis (Rua João Pessoa, 103, em Londrina) um Ato Público Pela Recuperação de Mário Bortolotto e Contra a Violência. No ato serão lidos poemas e trechos de peças do dramaturgo londrinense. Atores, escritores e amigos do dramaturgo participam do evento, aberto a todos os interessados.
***
Legal a rapaziada de Londrina pintar na Vila Cultura que é a casa do Cemitério de Automóveis, grupo fundando pelo Mario Bortolotto. Vamos estar lá contribuindo com as nossas verves poéticas para mandar aquela força pela recuperação desse italiano rude com o coração de ouro. As últimas noticias dão conta de que ele está melhorando e vai estar de voltta com a gente em breve. Vou aparecer lá no Cemitério de Automóveis e espero que a casa esteja lotada.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

VIVA BORTOLOTTO

Estamos todos unidos aqui em Londrina mandando luz pela recuperação do grande Mario Bortolotto. Força, Marião! Você vai vencer essa parada!

sábado, 15 de agosto de 2009

O TAUMATURGO NO ESPELHO DE ESCHER


Há 815 anos nasceu Fernando de Bulhões.

O Poeta se faz Vidente


ADUANA

senha e sonho e sanha com que esta palavra penetra no baile
máscara de maria-ninguém de fatura recente
ou será arca de ganas do tempo do rei
cadê o cabaço lacre de selada estampilha exigido por lei
cadela safada muamba curtida no bodum das galés
saturnália entrudo ostra grudada ao casco do navio
fidalga de tamanco sem nem um pingo acre de sangue azul real
verbete acessado de uma enciclopédia cibernética de gafes
vestes inconvenientes de quem não sabe com quem está falando
usa papel-carbono pra burlar alfândegas
chega sem passaporte sem convite sem o répondez s’il vous plait
cara de pau dribla a catraca do guichê da chefia do cerimonial
não exibe pendurado no peito atestado de salubridade pública
miss maxixe
embigada
corta-jaca que se insinua nos finos salões
palavra empenhada sem lastro de chão ou teto patrimonial
nem pé-de-meia tem
casca grossa não tem no cu o que periquito roa
hectares de terras que possui são as que carrega debaixo
das sujas unhas
heranças de nenhumas capitanias heriditárias
necas de pitibiribas de sobrenomes ilustres
topless e desnuda de sesmarias
de família ignorada do frio da pá ao pavio da foice e do sudário
pó de pau de anta
vassoura de bruxa
vírus viridiana da próxima epidemia mundial de gripe
vetada pelo código de barras do produtor e do consumidor
inhaca de marafona impudica
vira-lata da chinfra arraia-miúda da folia da grei
espojada se emprenhando ao vento vário na caçamba de camião
ou ao relento ralando as coxas nuelas no lombo neutro do sexo
da mula sem cabeça

(Waly SalomãoTarifa de Embarque – Editora Rocco, 2000. pp. 64/65.)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

SOBRENATURALIA 2


Dando seguimento às narrativas sobre acontecimentos singulares, aproveito para compartilhar com os leitores deste "imblogrio" um fato sobrenatural presenciado por pessoas insuspeitas. A fenômeno se passou na Biblioteca Pública, mais precisamente nas dependências do Teatro Zaqueu de Melo, palco de memoráveis peças londrinenses, em especial as de Mario Bortolotto que fez do Zaqueu, durantes anos, a casa do grupo Cemitério de Automóveis. Segue abaixo um texto que fiz muito ligeiramente para a Folha Norte em 2008, narrando o que ouvi da boca do guardião daquele teatro, o o grande senhor Jesu.


O OBJETO SINISTRO DO TEATRO ZAQUEU DE MELO

Um dos casos sobrenaturais mais intrigantes de Londrina é o do objeto sinistro do Teatro Zaqueu de Melo. O acontecimento testemunhado por dois funcionários é absolutamente verídico, e até hoje desafia a inteligência de especialistas em fenômenos paranormais que não encontraram uma explicação para o que aconteceu naquela noite da década de 80.
Os funcionários se encontravam na Biblioteca Pública, prédio ao qual o teatro é conjugado. Um deles era o guarda. O outro, o responsável técnico do Teatro Zaqueu de Melo que ficara trabalhando até mais tarde. Os funcionários já tinham apagado as luzes das salas da biblioteca. Somente as mudas estantes de livros lhes faziam companhia. O funcionário do teatro foi ao encontro do vigia para trocar um dedo de prosa e assim ficaram descontraídos durante alguns minutos. Somente as vozes dos dois ecoavam na sala principal da Biblioteca.
Eis senão quando os dois ouvem um som em alto volume, o estrondo horrível de um objeto metálico, como se uma bola de ferro viesse repicando pelos degraus da escada do teatro Zaqueu de Melo. Ainda sem saber do que se tratava, e temendo que o tal objeto pudesse causar algum dano material ao prédio público, os dois funcionários correram imediatamente em direção à escada.
Quando chegaram lá acenderam as luzes e não encontraram absolutamente nada. Subiram e desceram as escadas e nada encontraram. Não acreditavam que um som tremendo daqueles não tivesse causa. Onde estava o objeto esférico metálico?
A única suposição aventada é que antigamente o Teatro Zaqueu de Melo era o Tribunal do Júri do Fórum de Londrina, local onde muitos assassinos foram condenados, e os fantasmas dos justiçados e injustiçados perambulavam com suas roupas manchadas de sangue.